Chico da Silva
Φ 1910 Φ † 1985 †
Titulo da obra: AVE
Técnica: Guache Têmpora sobre Tela
Tamanho: 67cm x 45cm
Ano: 1974
Valor estimado: R$ 5.000,00
Ultimo lance recebido: 10 Parcelas de R$ 170,00
Acompanha a Obra
- DVD com o VideoArte
- Certificado de origem – Acervo Nacir Sales
- Discreta moldura
Mais Sobre o Artista
O mistério e o fantástico que pontua toda a obra de Chico da Silva tem início já no seu nascimento, no Acre, no Alto Tejo, em 1910, filho de uma cabocla cearense com um índio da Amazônia peruana, cores e crenças se misturam, forte é a sua natureza. Faleceu em Fortaleza, em 6 de dezembro de 1985. Criado na misteriosa paisagem da Floresta Amazônica: sons, cores e formas, parece que ouvimos sons ao ver suas obras, é a floresta que deixou impregnado ruídos, barulhos, lendas. Francisco Domingos da Silva, gênio da mata, primitivista como não poderia deixar de ser, o primitivo que ganhou o mundo (não se sabe ao certo quem é que foi que ganhou, ganharam ambos).
Em 1934, A Amazônia era o Eldorado e os nordestinos iam em busca do pote de ouro na outra ponta do Arco Iris. A família de Chico da Silva fez o caminho invertido e embarcou para o Ceará. Entre três ou quatro meses rio abaixo, rios e rias, a floresta inteira até desaguar no Oceano Atlântico, no Porto de Mucuripe, em Fortaleza (CE). O garoto nasceu acreano, cruzou todo o Norte do Brasil, navegou em condições primitivas, águas do perigo, chuva, muita chuva, calor, e de novo os mistérios: esta é a química do mais genial pintor primitivista do século XX, o acreano mais festejado nas artes plásticas no Brasil e Europa. Sua carreira: sapateiro, ajudante de marinheiro, pintor e desenhista. Com exposições na França, Suíça, Itália e Rússia, suas obras integram acervos dos mais importantes museus e pinacotecas do mundo.
Chico da Silva pintava dragões, coisas comuns como peixes voadores, galos exóticos, figuras fantásticas com cores fantásticas e formas fantásticas. E pintava com carvão. Semi-analfabeto. Pintava em muros e paredes de Fortaleza, era tido como estranho até que descoberto pelo Suiço Jean Pierre Chabloz, daí para frente o status de maluco e doido cedem espaço para a fama de artista de reconhecimento mundial: Chico da Silva virou Cult na década de 50. Como trouxe o mistério amazônico em seu DNA, quanto mais o mundo se interessa pela riqueza da selva mais e mais culturas se despertam para o acervo do acreano. Foi na praia do Pirambu, em Fortaleza, que o que era uma energia doida virou Cult.
Jean Pierre Chabloz conheceu primeiro os muros, as paredes e iniciou uma busca frenética pelo gênio que deixara marcas de seus passos pela cidade. Seguiu paredes, as linhas e traços dos muros e descobriu o fantástico. O suíço apoio e estimulou Chico da Silva e ajudou-o a atrair a atenção mundial, uma atenção de colecionadores sofisticados. Passou a ser conhecido na Europa como índio de técnica apurada, absolutamente autoditada, não foi aluno de ninguém, inventou a si mesmo. E assim como sua família fez o caminho invertido, da Amazônia para o Ceará, seus quadros recentemente fizeram o mesmo: o Governo do Estado do Ceará, para reparar a perda do acervo originário do pintor, adquiriu de um colecionador francês os trabalhos da primeira fase de Chico da Silva que faleceu em 1985.
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